Dia 18
Gn 42–43 · Mt 13,1-21 · Sl 13 (14) · cerca de 13 min
Destaque da leitura de hoje“O Senhor olhou desde o céu para os filhos dos homens, para ver se há quem tenha inteligência, ou quem busque a Deus.”Salmo 13,2 (14)
Antigo TestamentoGn 42–43
Gênesis 42
1Entretanto Jacó, tendo ouvido que se vendia trigo no Egito, disse a seus filhos: Por que não fazeis vós caso disto? 2Eu ouvi dizer que no Egito se vende trigo. Ide lá, e comprai o que havemos mister, para que possamos viver, e não morramos de fome. 3Foram pois os dez irmãos de José ao Egito, para lá comprarem trigo: 4Porque a Benjamim deixou Jacó ficar consigo, tendo dito a seus irmãos: Temo não lhe aconteça no caminho algum desastre. 5Entraram êles pois no Egito com outros, que lá iam a comprar, porque havia fome na terra de Canaã. 6José governava em todo o Egito, e não se vendia trigo aos povos, senão por ordem sua. Tendo-o pois adorado seus irmãos, 7êle os conheceu: E depois de lhes ter falado com dureza, como a uns estranhos, disse-lhes: Donde vindes vós? Responderam êles: Vimos da terra de Canaã a comprar aqui o que nos é necessário para a vida. 8E ainda que êle conheceu muito bem seus irmãos, êstes o não conheceram, 9Então lembrando-se dos sonhos, que noutro tempo tivera, lhes disse José: Vós sois uns espias: E vós viestes aqui para averiguardes os lugares mais fracos do Egito 10Êles lhe responderam: Não, senhor, nós não viemos a isso, mas a comprar trigo. 11Nós somos todos filhos dum mesmo homem: nem os teus servos trazem algum mau intento. 12José lhes disse: Não, isso não é assim: Mas vós viestes notar o que há de menos fortificado no Egito. 13Replicaram êles: Nós somos doze irmãos, filhos de um homem da terra de Canaã, e teus servos. O mais pequeno está com o nosso pai; o outro já não está no mundo. 14Eis-aqui, disse José, o que eu dizia: Vós sois uns espias. 15Eu vou experimentar se vós dizeis verdade. Pela vida de Faraó, que vós não saireis daqui, sem que venha vosso irmão mais pequeno. 16Mandai um de vós que o traga: Entretanto estareis em prisão, até eu conhecer se o que me dizeis é verdadeiro, ou falso: doutra sorte, pela vida de Faráó, que vós sois uns espias. 17Êle pois os fêz meter em prisão três dias. 18E ao terceiro dia fê-los sair da prisão, e lhes disse: Fazei o que eu vos disse, e vivereis: Porque eu temo a Deus. 19Se vós vindes aqui com espírito de paz, fique um de vossos irmãos amarrado na prisão, e vós ide-vos; e levai o trigo, que tendes comprado para vossas casas, 20e trazei-me o mais pequeno dê vós, para eu conhecer se o que vós me dizeis é verdade, e não morrerdes. Fizeram êles o que se lhes havia ordenado. 21E diziam uns para os outros: Justamente padecemos nós isto, porque pecamos contra nosso irmão, e porque vendo as angústias da sua alma, quando nos suplicava, não o ouvimos: por isso é que nós caímos, 'nesta tribulação. 22Rúben, que era um dêles, lhes dizia: Não vos disse eu, não cometais um tamanho crime contra êste rapaz? E vós não me ouvistes; eis-aqui como agora se nos pede conta do seu sangue. 23Ora êles não sabiam que José os entendia, porque êle lhes falava por um intérprete. 24Más êle se retirou por um pouco de tempo, e chorou: e tornado a êles, lhes falou novamente. 25Fêz pegar em Simeão, e amarrá-lo diante dos outros irmãos; e. mandou aòs seus oficiais que lhes enchessem os seus sacos de trigo, e que metessem no saco de cada um o dinheiro, que tinham dado; ajuntando de mais a mais víveres para o caminho: o que logo foi executado. 26Partiram-se pois os irmãos de José, levando o seu trigo nos seus burros. 27E tendo um dêles aberto o seu saco na estalagem, para dar de comer ao seu burro, viu o seu dinheiro na bôca do saco; 28e disse a seus irmãos: Restituiu-se-me o meu dinheiro: ei-lo aqui no meu saco. Ficaram êles pois tomados de espanto, e de turbação. e diziam uns para os outros: Que é isto, que Deus nos fêz? 29Depois que chegaram a casa de Jacó seu pai na terra de Canaã, êles lhe contaram tudo o que lhes tinha acontecido, dizendo: 30O Senhor daquela terra nos falou duramente, e nos teve por espias, que íamos observar a província. 31Nós lhe respondemos: Nós somos uma gente pacífica, e muito alheia de trazermos algum mau intento. 32Somos doze irmãos, filhos de um mesmo pai: um já não está no mundo; o mais pequeno está -com nosso pai na terra de Canaã. 33Êle nos respondeu: Eu quero experimentar se é verdade que sois gente de paz: deixai-me pois aqui um de vossos irmãos: Tomai o trigo, que vos é necessário para vossas casas, e ide-vos: 34E trazei-me vosso irmão mais pequeno, para eu saber que não sois espias, e para vós depois poderdes levar convosco aquêle outro, que cá fica preso, e para daqui em diante vos ser permitido comprar aqui o que quiserdes. 35Depois que êles assim falaram, ao lançarem o seu trigo fora dos seus sacos. achou cada um o seu dinheiro atado na bôca do saco, do que todos ficaram muito espantados. 36Então lhes disse seu pai Jacó: Vós me tendes reduzido a estar sem filhos. José já o não há; Simeão fica preso; e vós ainda me quereis levar Benjamim. Todos êstes males recaíram sôbre mim. 37Rúben lhe respondeu: Manda matar meus dois filhos, se eu to não tornar a trazer; confia-o de mim, e eu to restituirei. 38Não, disse Jacó, meu filho não há-de ir convosco. Seu irmão morreu, e êle ficou só: se lhe suceder algum infortúnio na terra, onde vós ides, vós causareis à minha velhice uma dor, que me levará à sepultura.
Gênesis 43
1Entretanto a fome assolava extraordinariamente tôda a terra. 2E tendo-se acabado o trigo, que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, êle lhes disse: tornai para nos comprardes ainda algum pouco de trigo. 3Judá lhe respondeu: Aquêle homem, que governa em todo o Egito, nos declarou com juramento qual era sua vontade, dizendo: Vós não me vereis a cara, se não trouxerdes convosco vosso irmão mais pequeno. 4Se tu logo queres mandá-lo conosco, iremos todos juntos, e comprar-te-emos o que hás mister. 5Se o não queres, não iremos: porque aquêle homem, como nós já tc dissemos muitas vezes, nos declarou, que não lhe veríamos a cara, se não lhe levássemos nosso irmão mais pequeno. 6Israel lhe disse: Para desgraça minha foi, terdes-lhes vós manifestado, que ainda tínheis outro irmão. 7Mas êles lhe responderam: Êle nos perguntou por ordem todo o séquito da nossa família: se nosso pai vivia; se tínhamos nós ainda outro algum irmão. E nós lhe respondemos consequentemente ao que êle nos tinha perguntado. Acaso podíamos nós adivinhar que êle nos havia de dizer: Trazei convosco vosso irmão? 8Ainda disse mais Judá a seu pai: Manda comigo o menino para partirmos, e têrmos de que poder viver, e para não morrermos nós, e nossos filhinhos. 9Eu me encarrego dêste moço: a mim é que tu pedirás conta dêle. Se eu to não tornar a trazer, e to não restituir, eu consinto em que tu me não perdoes nunca esta falta, 10Se nós não tivéssemos diferido tanto a nossa ida, já nos teríamos voltado segunda vez. 11Israel pois, seu pai, lhes disse: Se isto assim é necessário, fazei o que quereis. Tomai para levardes convosco os mais excelentes frutos dêste país, para fazerdes presente dêles a êsse homem: uma pouca de resina, um pouco de mel, um pouco de estoraque, alguma mirra, algum terebinto, e algumas amêndoas. 12Tomai também dobrado dinheiro, e tornai a levar aquele, que vós achastes nos sacos, não fôsse isso talvez por engano. 13Enfim levai vosso irmão, e ide ter com aquêle homem. 14Eu rogo ao meu Deus todo poderoso, que vo-lo faça favorável, para que êle remeta convosco a vosso irmão, que êle retém prêso, e a êste Benjamim. Entretanto ficarei eu só, como se não tivesse filhos, 15Tomaram êles pois os presentes, e dinheiro em dôbro, com Benjamim; e tendo partido, chegaram ao Egito, onde se apresentaram diante de José. 16José tanto que os viu, e Benjamim com êles, disse ao seu dispenseiro: Introduze êstes homens em minha casa: mata das reses aquelas, que se costumam escolher para vítimas e prepara um banquete: porque. êles hão-de comer comigo ao meio dia. 17Executou o dispenseiro o que se lhe tinha mandado, e introduziu-os em sua casa. 18Então passados de mêdo diziam êles entre si: Sem dúvida que por causa daquele dinheiro, que nós achamos nos sacos, é que êle nos faz entrar aqui, para nos caluniar, e nos oprimir, reduzindo-nos à escravidão, e tomando-nos os nossos burros. 19Pelo que estando ainda à porta, chegaram-se êles ao dispenseiro de José, e lhe disseram: 20Senhor, nós te suplicamos que nos ouças. Nós viemos já uma vez comprar trigo: 21e depois de o têrmos comprado, quando nós chegamos à estalagem, ao abrir os nossos sacos achamos nas suas bôcas o nosso dinheiro, o qual nós te trazemos agora no mesmo peso. 22E afora êste, te trazemos nós outro dinheiro, para comprarmos o que nos é necessário. Mas nós não sabemos de modo algum, quem foi o que meteu aquêle dinheiro. nos nossos sacos. 23O dispenseiro lhes respondeu: Estai sossegados, não tenhais mêdo. O vosso Deus, e o Deus de vosso pai foi o que vos deu êsses tesouros nos vossos sacos. Porque quanto a mim, eu recebi o dinheiro, que vós me destes, e com isso me dou por satisfeito. Fêz também sair para fora a Simeão, e trouxe-lho. 24Depois de. os ter feito entrar na casa, trouxe-lhes água, com que lavaram os pés, e deu de comer aos seus burros. 25Entretanto puseram êles prontos os seus presentes, esperando que José entrasse ao meio dia: porque lhes tinham dito que haviam de comer ali. 26Tendo pois entrado José em sua casa, êles lhe ofereceram os seus presentes, que tinham nas suas mãos, e êles o adoraram, prostrando-se por terra. 27José os saudou também, mostrando-lhes bom rosto, e lhes perguntou: E” ainda vivo vosso pai, aquêle bom velho, de que vós me falastes? Passa êle bem? 28Êles lhe responderam: Nosso pai teu servo ainda vive, e passa bem. E êles encurvando-se profundamente, o adoraram. 29José, levantando os olhos, viu a Benjamim, seu irmão uterino, e disse: Êste é vosso irmão mais pequeno, do qual vós me tínheis falado? Meu filho. ajuntou êle, Deus te conserve, e te seja sempre favorável. 30E deu-se pressa a sair, porque se lhe tinham comovido as entranhas, vendo a seu irmão, e não podia conter as lágrimas: passando pois a outra câmara, chorou. 31E depois de ter lavado o rosto, se conteve, e disse: Trazei o comer para a mesa. 32Foi José servido à parte, e seus irmãos à parte e os egípcios, que comiam com êle, servidos também à parte: porque não é permitido entre os egípcios comer com os hebreus; e têm que um banquete desta sorte seria profano. 33Êles se assentaram pois em presença de José, primeiro o primogênito segundo a sua ordem, e o mais pequeno segundo a sua idade; e ficaram sumamente admirados, 34ao ver as porções, que José lhes dera, das quais a maior tinha caído a Benjamim: porque esta era cinco vezes mais avantajada que a dos outros. Beberam também com José, e regalaram-se.
Novo TestamentoMt 13,1-21
Mateus 13
1Naquele dia saindo Jesus de casa, sentou-se à borda do mar. 2E vieram para êle muitas gentes, de tal sorte que entrando em uma barca se assentou: E tôda a gente estava de pé na ribeira. 3E lhe falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia, a semear. 4E quando semeava, uma parte da semente caiu junto da estrada, e vieram as aves do Céu, e comeram-na. 5Outra porém caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra: E logo nasceu, porque não tinha altura de terra: 6Mas saindo o sol se queimou: E porque não tinha raiz se secou. 7Outra igualmente caiu sôbre os espinhos: E cresceram os espinhos, e êstes a afogaram. 8Outra, enfim, caiu em boa terra: E dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. 9O que tem ouvidos de ouvir, ouça. 10E chegando-se a êle os discípulos, lhe disseram: Por que razão lhes falas tu por parábolas? 11Êle respondendo, lhes disse: Porque a vós outros vos é dado saber os mistérios do reino dos Céus: Mas a êles não lhes é concedido. 12Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância: Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 13Por isso é que eu lhes falo em parábolas: Porque êles vendo não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem. 14De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Vós ouvireis com os ouvidos, e não entendereis: E vereis com os olhos, e não vereis. 15Porque o coração dêste povo se fêz pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e êles fecharam os seus olhos: Para não suceder que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam no coração, e se convertam, e eu Os sare. 16Mas por vós, ditosos os vossos olhos, pelo que vêem, e ditosos os vossos ouvidos pelo que ouvem. 17Porque em verdade vos digo, que muitos profe-' tas, e justos desejaram ver o que vêdes, e não o viram: E ouvir o que ouvis, e não o ouviram. 18Ouvi pois, vós outros, a parábola do semeador. 19Todo aquele que ouve a palavra do reino, e não a entende, vem o mau, e arrebata o que se semeou no seu coração: Este é o que recebeu a semente junto da estrada. 20Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gôsto: 21Porém êle não tem em si raiz, antes é de pouca duração: E quando lhe sobrevém tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza.
Salmos e ProvérbiosSl 13 (14)
Salmo 13 (14)
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais: Salmo 14.
1Ao regente do côro, salmo de Davi. O insensato disse no seu coração. Não há Deus. Corromperam-se, e se fizeram abomináveis nos seus desejos: Não há quem faça o bem, não há nem sequer um. 2O Senhor olhou desde o céu para os filhos dos homens, para ver se há quem tenha inteligência, ou quem busque a Deus. 3Todos se desviaram, à uma se fizeram inúteis: Não há quem faça o bem, não há nem sequer um. A sua garganta é sepulcro aberto: Com as suas línguas urdiam enganos, veneno de áspides debaixo dos seus lábios. Cuja bôca está cheia de maldição e de amargura: Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Aflição e calamidade nos caminhos dêles, e não conheceram o caminho da paz: Não há temor de Deus diante de seus olhos. 4Acaso não terão conhecimento todos os que obraram a iniquidade, os que devoram o meu povo, como um pedaço de pão. 5Não invocaram o Senhor, ali tremeram de mêdo, onde não havia que temer. 6Porque Deus está com a geração dos justos, confundiste o conselho do pobre: porque o Senhor é a sua esperança. 7Quem dará de Sião a salvação de Israel? Quando o Senhor puser fim ao cativeiro do seu povo, exultará Jacó, e alegrar-se-á Israel.