Dia 322
2Mc 3 · Jo 11,42-57 · Pr 20,16-30 · cerca de 10 min
Destaque da leitura de hoje“O sôpro do homem é uma luz do Senhor, a qual perscruta todos os segredos do seu íntimo.”Provérbios 20,27
Antigo Testamento2Mc 3
2 Macabeus 3
1Gozando pois a cidade santa de uma perfeita paz, e guardando-se ainda êxatissimamente as leis, por causa da piedade do pontífice Onias, e do ódio que êle tinha no coração contra todo o mal, 2nascia daqui, que também os mesmos reis, e príncipes reputavam o santo lugar por digno de suma veneração, e enriqueciam o templo com grandissimos donativos: 3De sorte que Seleuco, rei da Ásia, subministrava das suas rendas tôda a despesa que pertencia ao ministério dos sacrifícios. 4Porém Simão da tribo de Benjamim, que estava constituído prepósito do templo, trabalhava por fazer alguma má obra na cidade, não obstante a resistência que achava no. príncipe dos sacerdotes. 5E vendo que não podia vencer a Onias, foi ter com Apolônio, filho de Tarséias, que naquele tempo era governador da Celesíria e da Fenícia. 6E declarou-lhe que o erário de Jerusalém estava cheio de infinitas somas de dinheiro, e que nêle se achavam imensas riquezas do comum, que não pertenciam ao ramo dos sacrifícios: E que se poderia descobrir meio para que todo êste cabedal viesse a cair em poder do rei. 7E tendo Apolônio avisado o rei desta grande soma de dinheiro, que lhe tinha sido delatado, o rei tendo feito chamar a Heliodoro, que era seu primeiro ministro, o enviou com ordem de fazer transportar o sobredito dinheiro. 8E pôs-se logo Heliodoro a caminho, e isto com o pretexto de quem tinha de visitar as cidades da Celesíria e da Fenícia, mas na realidade levando em propósito executar a intenção do rei. 9E chegado que foi a Jerusalém, e recebido na cidade com grande benignidade pelo sumo sacerdote, declarou-lhe Heliodoro o aviso que se tinha dado ao rei sobre êste dinheiro: E manifestou-lhe que esta era a verdadeira causa da sua vinda: Perguntou-lhe, se era verdade o que se tinha dito. 10Então lhe representou o sumo sacerdote, que êste dinheiro estava em depósito, e que era subsistência de viúvas, e de órfãos: 11E que no monte dêste dinheiro, que o ímpio Simão tinha denunciado, havia uma parte que pertencia a Hircano Tobias, varão muito eminente: E que tôda esta soma vinha a consistir em quatrocentos talentos de prata, e duzentos de ouro: 12E que era uma coisa absolutamente impossível, enganar aos que tinham segurado o seu dinheiro metendo-o em depósito num lugar, e num templo, que por todo o mundo era honrado pela veneração que infundia, e santidade que respirava. 13Mas Heliodoro, em cumprimento das ordens que recebera do rei, insistia que em todo o caso devia aquêle dinheiro ser levado ao rei. 14O dia pois que tinha assinado para isso, entrou êle no templo, para haver de ordenar a entrega dêste dinheiro. Entretanto não havia pequeno sobressalto por tôda a cidade. 15Os sacerdotes porém se prostraram diante do altar com as suas vestes sacerdotais, e invocavam aquêle que está do céu dominando tudo, que fêz uma lei sôbre os depósitos, rogando-lhe que os guardasse salvos para aquêles que os tinham depositado. 16Já quanto aos que olhavam para o semblante do sumo sacerdote, ficavam com o coração traspassado: Porque a mudança do seu parecer, e da sua côr, mostrava bem a pena interior da sua alma: 17Porque uma certa tristeza difundida por todo êle e o horror de que o seu corpo parecia tomado, era o sinal por que se fazia manifesta, aos que o viam, a dor do seu coração. 18Outros também corriam em bandos de suas casas, conjurando a Deus com públicas preces, que não permitisse que um lugar tão santo houvesse de ser exposto ao desprêzo. 19E as mulheres cingidas pelo peito com cilícios, iam em ranchos pelas ruas: E até as donzelas, que antes se conservavam tlausuradas, corriam umas para Ônias, e outras para os muros, e algumas olhavam pelas janelas: 20Tôdas, porém, levantando as mãos para o céu, dirigiam a Deus as suas rogativas: 21E era na verdade um espetáculo digno de compaixão, ver tôda esta confusa multidão de povo, e o sumo sacerdote reduzido a uma tal angústia. 22E êstes sinceramente invocavam a Deus todo-poderoso, para que êle conservasse inviolável o depósito daqueles que lho tinham confiado. 23Mas Heliodoro levava ao fim o que tinha determinado, achando-se no mesmo lugar presente êle com os seus guardas junto à porta do erário. 24Mas o espirito de Deus todo-poderoso se deu então a conhecer em sinais bem sensíveis, de sorte que todos os que tinham ousado obedecer a Heliodoro, lançados a terra pelo poder de Deus, chegaram a ficar num total desfalecimento, e em grande terror. 25Porque lhes apareceu um cavalo, sôbre que estava montado um homem terrível, ajaezado com os melhores arreios: O qual, investindo com ímpeto a Heliodoro, lhe deu muitas patadas com os dois pés de diante: E o que vinha montado sôbre êle, parecia ter armas de ouro. 26Ao mesmo tempo se viram outros dois mancebos, de varonil formosura, cheios de majestade, e ricamente ataviados: Os. quais rodearam a Heliodoro, e o açoita-vam nas costas cada um da sua banda, descarregando sobre êle muitos golpes sem cessar. 27Caiu pois Heliodoro de repente por terra, e envolvido todo êle numa grande escuridade o arrebataram e pôsto numa cadeira de mãos o lançaram dali para fora. 28Assim o que tinha entrado no já mencionado erário com tanta comitiva de guardas e de arqueiros, era levado sem ninguém o poder socorrer, no que se tinha deixado ver manifestamente o poder de Deus: 29E êle na verdade por um efeito dêste divino poder jazia emudecido, e sem esperança alguma de vida. 30Mas os outros bendiziam o Senhor, por engrandecer o seu santo lugar E o templo que pouco antes estava cheio de trepidação, e de tumulto, logo que o Senhor manifestou a sua onipotência, se encheu de gôsto, e de alegria. 31Então, porém, alguns dos amigos de Heliodoro foram a tôda a pressa suplicar a Onias, que quisesse invocar o Altíssimo, para que êle desse vida ao que estava reduzido a dar o último bocejo. 32Então o sumo sacerdote considerando que o rei poderia talvez suspeitar alguma trama urdida pelos judeus contra Heliodoro ofereceu uma hóstia saudável pela vida daquele homem. 33E quando o sumo sacerdote fazia a sua oração, os mesmos dois mancebos vestidos dos mesmos trajos, apresentando-se a Heliodoro, lhe disseram: Dá as graças ao sacerdote Onias: Porque o Senhor te deu a vida por seu respeito. 34Tu pois que assim fôste açoitado por Deus, anuncia a todos as maravilhas de Deus, e o seu poder. E ditas estas palavras desapareceram. 35E Heliodoro depois de ter oferecido uma hóstia a Deus, e feito grandes promessas ao que lhe tinha concedido a vida, e dando graças a Onias, tornando a ir ajuntar-se com as suas tropas, voltou para O rei. 36E a todos testificava Heliodoro as obras do grande Deus, que êle vira com os seus olhos. 37E tendo perguntado o rei a Heliodoro quem lhe parecia apto para ser ainda mandado outra vez a Jerusalém, respondeu: 38Se tu tens algum inimigo; ou algum que tenha maquinado contra o teu reino, manda-o lá, e tu o receberás tornado a vir açoitado, se é que escapar: Porque verdadeiramente naquele templo há uma virtude divina. 39Porque aquêle mesmo que tem a sua habitação nos Céus, êsse mesmo é visitador, e protetor daquele lugar, e êle fere, e mata aos que lá chegam para fazer algum mal. 40Isto é pois o que se passou a respeito de Heliodoro, e da conservação do erário.
Novo TestamentoJo 11,42-57
João 11
42Eu pois bem sabia que tu sempre me ouves, mas falei assim por atender a êste povo, que está à roda de mim, para que êles creiam que tu me enviaste. 43Tendo dito estas palavras, bradou em alta voz: Lázaro, sai para fora. 44E no mesmo instante saiu o que estivera morto, ligados os pés e mãos com as ataduras, e o seu rosto estava envolto num lenço. Disse Jesus aos circunstantes: Desatai-o e deixai-o ir. 45Então muitos dentre os judeus, que tinham vindo visitar a Maria e a Marta, e que tinham presenciado o que Jesus fizera, creram nele. 46Porém alguns dêles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito. 47Por cuja causa se ajuntaram os pontífices e os fariseus em conselho, e diziam: Que fazemos nós, que êste homem faz muitos milagres? 48Se o deixamos assim livre, crerão todos nele:.e virão os romanos e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nossa gente. 49Mas um dêles, por nome Caifás, que era o pon-tifice daquele ano, disse-lhes: Vós não sabeis nada. 50Nem considerais que vos convém que morra um homem pelo povo, e que não pereça tôda a nação. 51Ora, êle não disse isto de si mesmo: Mas como era pontífice daquele ano, profetou que Jesus tinha de morrer pela nação. 52E não somente pela nação, mas também para êle unir num corpo os filhos de Deus que estavam dispersos. 53Desde aquele dia pois cuidavam eles em ver como lhe dariam a morte. 54De sorte que já não andava Jesus em público entre os judeus, mas retirou-se para uma terra vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efrem, e lá estava com seus discípulos. 55E estava próxima a Páscoa dos judeus: E muitos daquela terra subiram a Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem a si mesmos. 56E buscavam a Jesus: E diziam uns para os outros estando no Templo: Que julgais vós de não ter vindo a êste dia de festa? 57Mas os pontífices e fariseus tinham passado ordem, que todo o que soubesse onde Jesus estava, o denunciasse para o prenderem.
Salmos e ProvérbiosPr 20,16-30
Provérbios 20
16Tira o vestido àquele que ficou por fiador dum desconhecido, e leva-lhe de casa o penhor, pois êle se obri-góu por estranhos. 17O pão da mentira é gostoso ao homem: Porém ao depois a sua bôca será cheia de areia. 18Os pensamentos roboram-se pelos conselhos: E as guerras devem ser governadas com os lemes. 19Não te familiarizes com aquêle que revela os segredos, e que anda com fingimento, e que abre muito os seus lábios. 20Aquêle que amaldiçoa a seu pai, e a sua mãe, apagar-se-lhe-á a sua candeia no meio das trevas. 21A herança, que um se apressa a adquirir no princípio, carecerá de bênção no fim. 22Não digas: Darei mal por mal: Espera pelo Senhor, e êle te livrará. 23Ter um pêso e outro peso, é abominação diante de Deus: À balança enganosa não é boa. 24Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor Mas que homem pode compreender o seu mesmo caminho? 25É uma ruína para o homem devorar os Santos e depois retratar os votos. 26O rei sábio dissipa os ímpios, curva sôbre eles um arco de triunfo. 27O sôpro do homem é uma luz do Senhor, a qual perscruta todos os segredos do seu íntimo. 28A misericórdia e a verdade guardam ao rei, e o seu trono se firma com a clemência. 29A exaltação dos mancebos é a fôrça dêles: E a dignidade dos velhos são as suas cãs. 30Os males alimpar-se-ão pelo livido das feridas: E pelas chagas no mais secreto do ventre.