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Bíblia em um ano Dia 331/365

Dia 331

Jó 2–5 · Jo 18,1-21 · Pr 23,1-10 · cerca de 11 min

  1. Antigo TestamentoJó 2–5
  2. Novo TestamentoJo 18,1-21
  3. Salmos e ProvérbiosPr 23,1-10
Destaque da leitura de hoje“Converta-se aquele dia em trevas. Deus desde o alto Céu não olhe para êle, nem êle seja esclarecido pela luz.”Jó 3,4

Antigo TestamentoJó 2–5

Jó 2

1E sucedeu que em certo dia viessem os filhos de Deus: E apresentando-se diante do Senhor, veio também Satanaz entre eles, e pôs-se na sua presença, 2e disse o Senhor a Satanaz: Donde vens tu? Êle respondeu, dizendo: Girei a terra, e andei-a tôda. 3E disse o Senhor a Satanaz: Não tens considerado ao meu servo Jó, que não há outro semelhante: a êle na terra, varão sincero e reto, e que teme a Deus, e que se retira do mal, e que ainda conserva a sua inocência? Mas tu me tens incitado contra êle para o afligir em vão. 4E Satanaz respondeu, dizendo: O homem dará pele por pele, e deixará tudo o que possui pela sua vida: 5E senão estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e então verás se êle te não amaldiçoa cara a cara. 6Disse pois o Senhor a Satanaz: Eis-aqui êle está debaixo da tua mão, mas guarda a sua vida. 7Tendo pois saído Satanaz da presença do Senhor, feriu a Jó duma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça: 8Jó assentado num monturo, raspava com um pedaço de telha a podridão. 9E sua mulher lhe disse: Ainda tu perseveras na tua simplicidade? Louva a Deus e morre. 10Jó lhe respondeu: Falaste como uma das mulheres tolas: Se nós temos recebido os bens da mão de Deus, por que não receberemos também os males? Em tôdas estas coisas não pecou Jó com os seus lábios. 11Portanto três amigos de Jó tendo ouvido todo o mal, que lhe havia sucedido, vieram cada um do seu lugar a verem-no, Elifaz de Teman, e Baldad de Suas, e Sofar de Naamat. Porque se tinham ajustado para juntos o virem visitar, e para o consolarem. 12Tendo pois de longe levantado os olhos, não o conheceram, e exclamando choraram, e rasgados os seus. vestidos lançaram pó ao ar sôbre as suas cabeças. 13E se assentaram com êle na terra sete dias e sete noites, e nenhum lhe dizia palavra: Porque viam que a dor era excessiva.

Jó 3

1Depois disto abriu Jó a sua bôca, e amaldiçoou o dia do seu nascimento, 2e falou assim: 3Pereça o dia em que eu fui nado, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem. 4Converta-se aquele dia em trevas. Deus desde o alto Céu não olhe para êle, nem êle seja esclarecido pela luz. 5Escureçam-no as trevas, e a sombra da morte, cerque-o uma negra escuridão, e seja envolto em amargura. 6Um tenebroso redemoinho ocupe aquela noite, não se conte entre os dias do ano, nem se numere entre os meses, 7Seja aquela uma noite solitária, e não digna de louvor: 8Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia, e os que estão prontos para sucitar a Leviatã: 9Escureçam-se, as estrelas pela sua negridão: Ela espere a luz. e não a veja, nem o nascimento da aurora quando raia: 10Porque ela não fechou as portas do ventre que me trouxe, nem apartou de meus olhos os males. 11Por que não morri eu dentro do ventre de minha mãe, por que não pereci tanto que saí dele? 12Por que fui recebido entre os joelhos? Por que me alimentaram com o leite dos peitos? 13Porque agora dormindo estaria em silêncio, e des-cansaria no meu sono: 14Juntamente com os reis e conselheiros da terra, que fabricam para si solidões. 15Ou com os príncipes, que possuem o ouro, e que enchem as suas casas de prata: 16Oir como abôrto que se oculta não existiria, ou como os que depois de concebidos não viram a luz. 17A li os ímpios cessaram de tumultos, e ali acharam descanso os cansados de forças. 18E os encarcerados em outro tempo estão já sem moléstia, nem ouviram a voz do exator. 19O pequeno e o grande ali estão e, o escravo está livre de seu Senhor. 20Por que foi concedida luz ao miserável, e vida aos que estão em amargura de ânimo? 21Os que esperam a morte, e não lhes vem, como os que cavam em busca de um tesouro: 22E que ficam transportados de alegria quando acham o sepulcro. 23A um homem que não sabe o caminho, e a quem Deus cercou de trevas? 24Suspiro antes de comer: E os meus gemidos são bem, como águas que inundam: 25Porquanto o temor, que temia, me veio: E me aconteceu o que receava. 26Porventura não dissimulei? Não me calei? Não estive sossegado? E veio sôbre mim a indignação.

Jó 4

1Então respondendo Elifaz de Teman, disse: 2Se começarmos a falar-te, talvez que tu o leves de má mente, mas quem poderá conter a palavra con cebida! 3Eis-aqui a ensinaste a muitos, e deste vigor a mãos cansadas: 4As tuas palavras firmaram aos que vacilavam: E fortaleceste aos joelhos trémulos. 5Porém agora veio sôbre ti O açoite, e desfaleceste: Feriu-te, e tu te perturbaste. 6Onde está aquele teu temor, a tua fortaleza, a tua paciência, e a perfeição dos teus caminhos? 7Lembra-te, te peço, que inocente pereceu jamais? Ou quando foram os justos destruídos? 8Antes bem tenho visto, que os que obram iniquidade, e semeiam dores, e as segam, 9pereceram a um assopro de Deus, e foram consumidos pelo espírito da sua ira. 10O rugido do leão, e a voz da leoa, e os dentes dos cachorros dos leões se quebraram. 11O tigre morreu, porque não tinha presa, e os cachorros cios leões: foram dissipados. 12Mas a mim se me disse uma palavra em segrêdo, e os meus ouvidos como às furtadelas perceberam uma parte do seu ruído. 13No horror duma visão noturna, quando o sono costuma ocupar os sentidos dos homens, 14assaltou-me o mêdo, e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. 15E ao passar cliante de mim um espírito, os cabelos da minha carne se arripiaram. 16Parou diante um, cujo rosto eu não conhecia, um vulto diante dos meus olhos, e ouvi uma voz como de branda viração. 17Porventura o homem, em comparação de Deus, será justificado, ou o varão será mais puro que o seu Criador? 18Ainda os mesmos que o servem, não são estáveis, e entre os seus anjos achou crime: 19Quanto mais aquêles que moram em casas de lôdo, que tem o fundamento de terra, serão consumidos como pela traça? 20Da manhã até à tarde serão destroçados: E porque nenhum tem inteligência, perecerão para sempre. 21Aquêles porém que dêles restarem, serão arrebatados: Morrerão e não em sabedoria.

Jó 5

1Chama pois, se há alguém que te responda, e volta-te para algum dos Santos. 2Certamente a ira mata o fátuo, e a inveja mata o pequeno. 3Eu vi o insensato com profundas raízes, e logo amaldiçoei o seu luzimento. 4Longe estarão seus filhos da salvação, e serão pisados aos pés na porta, e não haverá quem os livre. 5A sua messe comê-la-á 'o faminto, e o armado o arrebatará, e os sequiosos beberão as suas riquezas. 6Nada se faz na terra sem causa, e da terra não nasce a dor. 7O homem nasce para o trabalho, e a ave para voar. 8Por isso eu rogarei ao Senhor, e a Deus dirigirei a minha fala: 9O qual faz coisas grandes e impenetráveis e maravilhas sem número: 10Que derrama. a. chuva sôbre a face da terra, e tudo rega com as águas: 11Que exalta aos humildes, e aos tristes levanta com felicidade: 12Que dissipa os pensamentos malignos, para que as suas mãos não possam acabar o que tinham começado: 13Que apanha os sábios na sua própria astúcia, e que dissipa o desígnio dos malvados: 14De dia se verão em trevas, e ao meio-dia andarão às apalpadelas como de noite. 15Porém êle salvará ao desvalido da espada da bôca deles, e ao pobre da mão do homem violento. 16E terá esperança o desvalido, e a iniquidade comprimirá a própria bôca. 17Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige. Não desprezes pois a correção do Senhor: 18Porque êle fere, e cura: Dá o golpe, e as suas mãos curarão. 19Em seis tribulações êle te livrará, e à sétima o mal não te tocará. 20No tempo da fome êle te salvará da morte, e no tempo da guerra do poder da espada. 21Estarás em seguro do açoite da língua, e não temerás a calamidade quando chegar. 22Na desolação, e fome te rirás, não temerás as feras da terra. 23Até farás concêrto com as pedras dos campos. e as feras da terra te serão pacíficas. 24E saberás que há paz na tua casa, e visitando a tua espécie, não pecarás. 25E saberás também que se multiplicará a tua descendência, e a tua posteridade como erva da terra. 26Entrarás com abundância na sepultura, como: se recolhe o montão de trigo a seu tempo. 27Olha, que isto e assim, como temos alcançado: O que tens ouvido, medita-o no entendimento.

Novo TestamentoJo 18,1-21

João 18

1Tendo Jesus dito estas palavras, sait com os seus discípulos para a outra banda do ribeiro de Cedron, onde havia um horto, no qual entrou êle, e seus discípulos. 2Ora, Judas, que o entregava, sabia também dêste lugar, porque a êle tinha vindo; Jesus muitas vezes com seus discípulos. 3Tendo -pois Judas tomado uma companhia de soldados, e os quadrilheiros da parte dos pontífices e fariseus, veio ali com lanternas e archotes, e armas. 4Pelo que Jesus, que sabia tudo o que estava para lhe sobrevir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais? 5Responderam-lhe êles: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Eu sou. E Judas, que o entregava, estava também com êles. 6Tanto pois que Jesus lhes disse: Eu sou, recuaram para trás, e cairam por terra. 7Perguntou-lhes pois Jesus segunda vez: A quem buscais? E responderam êles: A Jesus Nazareno. 8Disse-lhes Jesus: Já vos disse que eu squ: Se a mim pois é que buscais, deixai ir êstes. 9Para se cumprir a palavra que êle dissera: Dos que me destes não perdi nenhum dêles. 10Mas Simão Pedro, que tinha espada, puxou dela: E feriu um servo do pontífice. E lhe cortou a orelha direita. E o servo se chamava Malco. 11Porém Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha. Não hei de beber o cálice que o Pai me deu? 12A coorte pois, e o tribuno, e os quadrilheiros dos judeus prenderam a Jesus, e o manietaram: 13E primeiramente o levaram à casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o pontífice daquele ano. 14Caifás porém era aquele que tinha dado aos judeus o conselho: De que convinha que um homem morresse pelo povo. 15Ora seguia a Jesus Simão Pedro, e outro discipulo. Era pois o tal discípulo conhecido do pontífice, e entrou com Jesus no pátio do pontífice. 16Mas Pedro estava de fora à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do pontífice, e falou à porteira: E esta fêz entrar a Pedro. 17Esta porteira pois, que era escrava, disse a Pedro: Não és tu também -dos discípulos dêste homem? Respondeu êle: Não sou. 18Ora, os servos e quadrilheiros estavam em pé ao lume porque fazia frio, e ali se aquentavam: E com êles estava também Pedro: em pé, do mesmo modo aquentando-se. 19Entretanto fêz o pontífice perguntas a Jesus, sôbre que discípulos tinha, e qual era a sua doutrina. 20Respondeu-lhe Jesus: Eu falei publicamente ao mundo: Eu sempre ensinei na Sinagoga, e no Templo, aonde concorrem todos os judeus: E nada disse em secreto. 21Por que me fazes tu perguntas? Faze-as àqueles que ouviram o que eu lhes disse: Ei-los aí estão que sabem o que eu ensinei.

Salmos e ProvérbiosPr 23,1-10

Provérbios 23

1Quando te assentares a comer com o príncipe, considera com atenção o que se te pôs diante: 2E põe uma faça na tua garganta, se é todavia que estás senhor da tua alma. 3Não desejes comer dos manjares daquele, onde se acha o pão da mentira. 4Não te fatigues por ser rico: Mas põe têrmo à tua prudência. 5Não ergas os teus olhos para umas riquezas que tu não podes ter: Porque elas tomaram asas como de águia, e voaram para O céu. 6Não comas com o homem invejoso, e não apeteças os seus manjares: 7Porque à semelhança de adivinho e conjecturador, faz juízo do que ignora. Come e bebe, te dirá êle: Mas o seu coração não está contigo: 8Tu vomitarás os manjares que tiveres comido: E perderás os teus sábios discursos. 9Não fales aos ouvidos dos insensatos Porque eles desprezarão a doutrina das tuas palavras. 10Não toques nos limites dos pequeninos: E não entres no campo dos pupilos:

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Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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