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Bíblia em um ano Dia 332/365

Dia 332

Jó 6–9 · Jo 18,22-40 · Pr 23,11-20 · cerca de 12 min

  1. Antigo TestamentoJó 6–9
  2. Novo TestamentoJo 18,22-40
  3. Salmos e ProvérbiosPr 23,11-20
Destaque da leitura de hoje“Entre o teu coração na doutrina: E os teus ouvidos nas palavras da ciência.”Provérbios 23,12

Antigo TestamentoJó 6–9

Jó 6

1Jó pois respondendo, disse: 2Oxalá se pesassem numa balança os meus pecados, pelos quais mereci a ira: E a calamidade que padeço. 3Ver-se-ia que esta era mais pesada que a areia do mar: Pelo que as minhas palavras estão também cheias de dor: 4Porque as setas do Senhor estão em mim cravadas, e a malignidade delas devora o meu espírito, e terrores do Senhor combatem contra mim. 5Porventura ornejará o onagro, quando tiver erva? ou mugirá o boi quando tem diante a manjedoura cheia? 6Ou poderá comer-se a vianda insulsa, que não foi temperada de sal? ou pode alguém gostar o que mata a quem o come? 7As coisas que antes não queria tocar a minha alma, agora pela aflição são o meu sustento. 8Quem dera que se cumprisse a minha petição: E que Deus me concedesse o que espero? 9E aquele que começou, esse mesmo me fizesse em pó: Que soltasse a sua mão, e me cortasse pela raiz? 10E esta seria a minha consolação, que afligindo-me com a dor, não me perdoasse, nem eu contraditaria as palavras do Santo. 11Pois que fortaleza é a minha para poder sofrer? ou qual o meu fim, para me portar com paciência? 12Nem a fortaleza das pedras é a minha fortaleza, nem a minha carne é de bronze. 13Bem vedes que eu não acho socorro em mim, e que até os meus próximos me têm desamparado. 14Aquele que não tem compaixão de seu amigo, abandona o temor do Senhor. 15Meus irmãos passaram ao longe de mim, como a torrente que arrebatadamente corre pelos vales. 16Os que temem a geada, cairá sôbre eles neve. 17No tempo em que fôrem dissipados, perecerão: E logo que vier o calor, desaparecerão do seu lugar. 18Embaraçadas são as veredas dos seus passos: Andarão sôbre o vácuo, e perecerão. 19Considerai as veredas de Tema, os caminhos de Saba, e esperai um pouco. 20Eles ficaram confusos, porque esperei: Vieram também até perto de mim, e ficaram cobertos de pejo. 21Agora viestes: E tanto que vistes a minha chaga tivestes medo. 22Acaso disse-vos eu: Trazei-me, e dai-me dos vossos bens? 23Ou, livrai-me da mão do inimigo, e tirai-me do poder dos valentes. 24Ensinai-me, e eu me calarei: E se eu talvez ignorei alguma coisa, instruí-me, o 25Porque murmurastes vós de umas palavras de verdade, não havendo de vós algum que me possa arguir? 26Compondes discursos somente com o fim de in-crepar, e proferis palavras ao vento. 27Arremeteis contra um pupilo, e esforçai-vos por arruinar o vosso amigo. 28Com tudo isso acabai o que começastes: Aplicai o ouvido, e vede se eu minto. 29Respondei vos peço sem contenda: E dizendo o que é justo, julgai. 30E não achareis iniquidade alguma na minha língua, nem na minha bôca soará estultícia alguma.

Jó 7

1A vida do homem sôbre a terra é uma guerra: E os seus dias são como os dias dum jornaleiro. 2Assim como o escravo deseja a sombra, e como o jornaleiro espera pelo fim do seu trabalho: 3Assim também eu tive meses vazios, e noites trabalhosas contei para mim. 4Se durmo, digo: Quando me levantarei eu? E de novo esperarei a tarde, e fartar-me-ei de dores até à noite. 5A minha carne está coberta de podridão e de imundícia do pó, a minha pele se secou, e se encolheu. 6Os meus dias passaram mais depressa do que a teia é cortada pelo tecelão, e consumiram-se sem nenhuma esperança. 7Lembra-te que a minha vida é um assopro, e que os meus olhos não tornarão a ver os bens. 8Nem me verá mais vista de homem: Teus olhos estão sôbre mim, e não subsistirei. 9Assim como se desfaz a nuvem, e passa: Assim aquele que descer aos infernos, não subirá. 10Nem tornará mais a sua casa, nem o lugar onde estava o conhecerá jamais. 11E por isso não reprimirei a minha língua, falarei na tribulação do meu espírito, conversarei com a amargura da minha alma. 12Acaso sou eu o mar, ou baleia, para tu me teres encerrado como num cárcere? 13Se eu disser: Consolar-me-á o meu leito, e terei alívio falando comigo mesmo na minha cama: 14Tu me assustarás com sonhos, e me horrorizarás com espantosas visões. 15Por isso mesmo escolheu a minha alma um laço, e os meus ossos a morte. 16Perdi as esperanças, não viverei jamais. Perdoa-me, que nada são os meus dias. 17Que coisa é o homem para o engrandeceres? e por que pões sôbre êle o teu coração? 18Tu o visitas pela manhã, e de repente o experimentas: 19Até quando me não perdoarás e não permitirás que eu trague a minha saliva? 20Pequei, que te farei eu, ó Libertador dos homens? por que me puseste contrário a ti, e me tenho feito pesado a mim mesmo? 21Por que não me tiras o meu pecado, e por que não apagas a minha iniquidade? eis-ai vou agora dormir no pó: E se tu me buscares pela manhã, não subsistirei.

Jó 8

1Respondendo pois Baldad Suita, disse: 2Até quando falarás tu semelhantes coisas, e as palavras da tua bôca serão um espírito multiplicado? 3Porventura Deus perverte seus juízos? ou o Todo-Poderoso destrói o que é justo? 4Ainda que teus filhos hajam pecado contra êle, e os haja deixado no poder da sua iniquidade: 5Contudo se tu te levantares pela manhã para Deus, e humilde rogares ao Onipotente: 6Se caminhares com limpeza e retidão, logo despertará para te acudir, e fará pacífica a morada da tua justiça: 7De tal sorte, que se os teus princípios tiverem sido pequenos, também 'os teus fins crescerão com excesso, 8Pergunta pois às gerações passadas, e examina com cuidado as memórias de nossos pais: 9(Porque nós somos de ontem, e o ignoramos, porquanto os nossos dias passam como a sombra sôbre a terra). 10E eles te instruirão, te falarão, e do seu coração tirarão palavras. 11Porventura um junco pode conservar-se verde sem umidade? ou crescer um canavial sem água? 12Quando ainda está em flor, sem que mão lhe toque, se seca antes que as outras ervas: 13Assim são os caminhos de todos os que se esquecem de Deus, e a esperança do hipócrita perecerá: 14A êle mesmo lhe não agradará a sua loucura, e como a teia de aranhas é a sua confiança. 15Se estribará sôbre a sua casa, e não permanecerá: Pôr-lhe-á espeque e não se levantará: 16Uma planta se vê fresca antes que venha o sol, e quando êle nasce brotará o seu pimpolho. 17As suas raízes se condensarão' entre um montão de pedras, e ficará entre penhascos. 18Se alguém a arrancar do seu lugar, a desconhecerá, e dirá: Não te conheço. 19Esta pois é a alegria do seu caminho, que de novo brotem da terra outros pimpolhos. 20Deus não rejeitará ao homem sincero, nem dará a mão a malignos: 21Até que a tua bôca se encha de riso, e os teus lábios de júbilo: 22Os que te aborrecem serão cobertos de confusão: E a casa dos ímpios não subsistirá.

Jó 9

1E respondendo Jó, disse: 2Eu sei verdadeiramente, que isto é assim, e que o homem comparado com Deus não é justo. 3E se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma sequer. 4Êle é sábio de coração, e forte em poder: Quem lhe resistiu e ficou em paz? 5Êle transferiu os montes, e aqueles mesmos que subverteu no seu furor, não o conheceram. 6Êle move a terra do seu lugar, e as suas colunas são abaladas. 7Êle manda ao sol, e o sol não nasce: Êle tem as estrelas encerradas como debaixo de um sêlo: 8Êle só formou a extensão dos céus, e anda sôbre as ondas do mar. 9Êle criou as estrelas da Ursa, e do Orion, e das Híadas, e as mais próximas ao meio-dia. 10Êle faz coisas grandes, e incompreensíveis, e maravilhosas, as quais não têm número. 11Se Êle vier a mim, eu hão o verei: se se fôr, eu não o perceberei. 12Se Êle perguntar de repente quem lhe responde: rá? ou quem lhe pode dizer: Por que fazes isto? 13Deus, a cuja ira ninguém pode resistir, e sob o qual se curvam os que sustentam o mundo sôbre seus ombros. 14Quem sou eu logo para lhe responder e para ousar falar-lhe? 15Que ainda quando em mim haja algum vestígio de justiça, não lhe responderei, mas que implorarei ao meu juiz. 16E ainda quando me ouvir deprecando-lhe, eu não crerei que êle ouvisse a minha voz. 17Porque me desfará com um redemoinho, e multiplicará as minhas ferida^ ainda sem causa. 18Não concede que meu espírito repouse, e me enche de amarguras. 19Se se busca fortaleza, é robustíssimo: Se.equidade de juízo, ninguém ousa dar testemunho em meu favor. 20Se eu pretender justificar-me a minha bôca me condenará: Se mostrar-me inocente, êle me convencerá de culpado. 21Ainda quando eu seja sincero, isto mesmo ignorará a minha alma, e me será tediosa a minha vida. 22Uma só coisa é que digo, Deus aflige assim o inocente como o ímpio. 23Se Êle fere, mate por uma vez, e não se ria das penas dos inocentes. 24A terra foi entregue nas mãos do ímpio, cobre com um véu os olhos dos seus juízos: Se não é Deus, quem é logo? 25Os dias da minha vida foram mais velozes do que um correio: Fugiram, e' não viram o bem. 26Passaram como navios que levam fruta, como a águia que voa à sua comida. 27Quando disser: Já não falarei assim: Mudo o meu rosto, e de dor me atormento. 28Eu me temia de tôdas as minhas obras, sabendo que não perdoavas ao delinquente. 29Mas se ainda assim sou-um ímpio, porque trabalhei eu em vão: 30Ainda que me lavasse como com água de neve, e brilhassem as minhas mãos como as mais limpas: 31Contudo me cobrirás de imundícies, e os meus próprios vestidos me abominarão. 32Porque o meu caso não é responder a um homem semelhante a mim: Nem contestar com êle como com um meu igual, 33Não há quem possa ser árbitro entre ambos, nem meter a sua mão entre os dois. 34Tire êle a sua vara de cima dé mim, e não me amedronte o seu terror. 35Falarei, e não o temerei: Porque eu não posso cheio de medo responder.

Novo TestamentoJo 18,22-40

João 18

22E tendo dito isto, um dos quadrilheiros, que se achavam presentes, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim é que tu respondes ao pontífice? 23Disse-lhe Jesus: Se eu falei mal, dá tu testemunho do mal, mas se eu falei bem, por que me feres? 24E Anás o enviou manietado ao pontífice Caifás. 25Estava pois ali em pé Simão Pedro, aquentando-se ainda. E êles lhe disseram: Não és tu também dos seus discípulos? Negou êle, e disse: Não. sou. 26Disse-lhe um dos servos do pontífice, que era parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Não é assim que eu te vi com êle no horto? 27E negou-o Pedro outra vez: E imediatamente cantou o galo. 28Levaram pois Jesus da casa de Caifás ao pretório. Era de manhã: E êles não entraram no pretório por se não contaminarem, mas comerem a Páscoa. 29Pilatos pois saíu fora para lhes falar, e disse: Que acusação trazeis vós contra êste homem? 30Responderam êles e disseram-lhe: Se êste não fôra malfeitor, não to entregáramos nós. 31Pilatos lhes disse então: Tomai-o lá vós outros, e julgai-o segundo a vossa lei. E os judeus lhe disseram: A nós não nos é permitido matar ninguém. 32Para se cumprir a.palavra, que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. 33Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus? 34Respondeu Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros os que to disseram de mim? 35Disse Pilatos: Porventura sou eu judeu?. A tua nação, e os pontífices são os que te entregaram nas minhas -mãos: Que fizeste tu? 36Respondeu Jesus: O meu reino não é dêste mundo: Se meu reino fôsse dêste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar, para que eu não fôsse entregue aos judeus: Mas agora não é daqui o meu reino. 37Disse-lhe então Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu para isso nasci, e ao que vim ao mundo foi para dar testemunho da verdade: Todo o que é da verdade, ouve a minha voz. 38Disse-lhe Pilatos: Que coisa é a verdade? E dito isto, tornou a sair a ver-se com os judeus, e disse-lhes: Eu não acho nele crime algum. 39Mas é costume entre vós, que eu pela Páscoa vos solte um: Quereis vós logo que vos solte o rei dos judeus? 40Então gritaram todos novamente, dizendo: Não queremos sôlto a êste, mas a Barrabás. Ora, este Barrabás era um ladrão.

Salmos e ProvérbiosPr 23,11-20

Provérbios 23

11Porque o seu próximo é poderoso: E êle mesmo se fará contra ti o defensor da sua causa. 12Entre o teu coração na doutrina: E os teus ouvidos nas palavras da ciência. 13Não queiras subtrair a correção ao menino: Porque se tu o fustigares com a vara, êle não morrerá. 14Tu fustigarás com a vara: E livrarás a sua alma do inferno. 15Meu filho, se o 'teu ânimo fôr sábio, alegrar-se-à contigo o meu coração: 16E os meús rins exultarão de prazer, quando os teus lábios tiverem proferido o que é reto. 17O teu coração não tenha inveja aos pecadores; mas conserva-te no temor do Senhor todo o dia: 18Porque terás esperança, quando chegar o teu último dia, e não te será roubada a tua expectação. 19Ouve, meu filho, e sê sábio: E dirige a tua alma pelo caminho direito. 20Não te queiras achar nos banquetes dos grandes bebedores, nem nas comezainas daqueles que fazem vir os manjares para comerem de companhia:

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Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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