Dia 99
Jz 15–17 · Lc 8,20-37 · Sl 62 (63) · cerca de 15 min
Destaque da leitura de hoje“O' Deus, ó meu Deus, em ti estou vigilante desde o raiar da luz. De ti tem sêde a minha alma, a minha carne por ti suspira.”Salmo 62,2 (63)
Antigo TestamentoJz 15–17
Juízes 15
1Pouco tempo depois, estando já próximos os dias da ceifa do trigo, querendo Sansão ver sua mulher, foi, e lhe levou um cabrito. E como quisesse entrar, como costumava na sua câmara, o pai dela o impediu, dizendo: 2Eu cuidei que a aborrecias, e por isso a dei a um teu amigo: mas ela tem uma irmã, que é mais moça e mais formosa do que ela, toma-a por mulher em seu lugar. 3Sansão lhe respondeu: De hoje em diante não poderão os filisteus queixar-se de mim: eu vos farei todo o mal que puder. 4E partiu, e tomou trezentas rapôsas, e ajuntou-as umas às outras pelas caudas, e no meio atou uns fachos: 5E tendo-lhes chegado fogo, largou-as, para irem cada uma para seu cabo. Elas partiram logo a correr pelo meio das searas dos filisteus. E incendiadas estás, tántó os trigos enfeixados, como os que ainda estavam por segar, se queimaram de tal modo que -o mesmo fogo consumiu também as vinhas e olivais. 6Ê disseram os filisteus: Quem íêz isto? respon-déu-se-lhes: Foi Sansão, genro daquele de Tamnata, porque lhe tirou sua mulher, e a deu a outro. E foram os filisteus: e queimaram tanto a mulher, como a seu pai. 7Então lhes disse Sansão: Não obstante terdes feito isto, eu ainda assim não deixarei de me vingar de vós, e então sossegarei. 8E fêz nêles um grande destroço, de sorte que atônitos punham as pernas sôbre as coxas. E descendo dali, morou na cova do Rochedo de Etan. 9Tendo pois vindo os filisteus ao país de Judá, se acamparam no lugar, que depois se chamou Lequi, que quer dizer, Queixada, onde o seu exército foi desbaratado. 10E os da tribo de Judá lhes disseram: Por que viestes contra nós? Êles lhes responderam: Viemos prender a Sansão, e pagar-lhe o mal que nos fêz. 11Então vieram três mil homens da tribo de Judá, à cova do Rochedo de Etan, e disseram a Sansão: Tu não sabes, que estamos sujeitos aos filisteus? pois por '- que quiseste fazer-lhes isto? Êle lhes respondeu: Eu fiz-lhes como êles me fizeram a mim. 12Nós viemos, replicaram êles, para te prender, e para te entregar nas mãos dos filisteus. Pois jurai-me,- lhes disse Sansão, e prometei-me, que me não haveis de matar. 13Êles lhe responderam: Não te mataremos, mas entregar-te-emos preso. Ligaram-no pois com duas, cordas novas, e tiraram-no do Rochedo de Etan. 14E chegando ao lugar da Queixada, e saindo-lhe ao encontro os filisteus com apupadas, caiu sôbre êle o espírito do Senhor: e como o linho costuma consumir-se ao cheiro do fogo, assim quebrou êle, e desfez as cordas, com que estava ligado. 15E pegando na queixada de um jumento, que achou à mão, e que jazia ali, matou com ela mil homens, 16e disse: Eu com a queixada de um jumento, com a queixada de um potro de jumenta os derrotei, e matei mil homens. 17E logo que acabou de cantar estas palavras, lançou a queixada da mão, e chamou àquele lugar Rama- - tlequi, que quer dizer, elevação da queixada. 18E sentindo grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Tu fôste o que salvaste o teu servo e o que lhe deste esta grande vitória: eis agora morro eu de sêde, e cairei nas mãos dos incircuncidados. 19Abriu pois o Senhor um dos dentes molares na queixada do jumento, e saíram dêle águas. E bebendo delas Sansão recobrou alento e recuperou as forças. Por isso foi àquele lugar chamado até o dia de hoje fonte do que invoca da queixada. 20E julgou a Israel vinte anos nos dias dos filisteus.
Juízes 16
1Depois foi Sansão para Gaza, e como ali visse a uma mulher pública, entrou a ela. 2O que tendo ouvido os filisteus, e espalhado que foi entre eles o rumor, de que Sansão era entrado na cidade, cercaram-no, pondo guardas às portas da cidade: e ali o esperaram mui calados tôda a noite, para pela manhã ao sair o matarem. 3Sansão porém dormiu até à meia-noite: levantando-se depois pegou em ambas as metades da porta com os seus postes e fechaduras, e pondo às costas, as levou até o alto do monte, que olha para Hebron. 4Depois amou a uma mulher, que assistia no vale de Sorec, e se chamava Dalila. 5E com esta vieram ter os príncipes dos filisteus, e lhe disseram: Engana-o, e sabe dele, donde lhe vem tamanha fôrça, e de que modo o poderemos vencer, e maltratá-lo depois de atado. Se assim o fizeres, cada um de nós te daremos mil e cem moedas de prata. 6Disse pois Dalila a Sansão: Dize-me, te peço, em que esteja esta tua tão grande fôrça, e que coisa haverá que possa ligar-te de modo que não possas quebrá-la? 7Sansão lhe respondeu: Se me atarem com sete cordas de nervos, ainda não secos, e ainda úmidos, ficarei eu tão fraco como os mais homens. 8Trouxeram-lhe pois os príncipes dos filisteus sete cordas, como ela tinha dito, com as quais o atou, 9e estando êles de emboscada escondidos na sua casa, e esperando na sua câmara o sucesso da traição, gritou ela: Sansão: Eis-aí os filisteus sôbre ti. Êle quebrou as prisões, como se quebra um fio torcido de má estopa, ao chegar-lhe o cheiro do fogo: e não se pôde conhecer em que consistia a sua fôrça. 10Dalila lhe disse: Eis-aí zombaste tu de mim, e não me disseste a verdade: sequer agora descobre-me com que deves ser atado. 11Êle lhe respondeu: Sc me atarem com umas cordas novas, que ainda não tenham servido, ficarei eu sem fôrça, e semelhante aos outros homens. 12Dalila o atou segunda vez com elas, e gritou: Sansão, eis-aí os filisteus sôbre ti, pois estavam escondidos na câmara homens de emboscada. Êle quebrou logo as prisões como os fios duma teia. 13E Dalila ihe tornou a dizer: Até quando me hás de tu enganar, e dizer-me falsidades? descobre-me com que e preciso que te atem. Sansão lhe respondeu: Se teceres sete tranças dos cabelos da minha cabeça com os liços da teia, e atares isto a um prego, e cravares êste na terra, ficarei eu fraco. 14O que tendo feito Dalila, disse-lhe: Sansão, eis-aí os filisteus sôbre ti. Êle espertando do sono, arrancou o prego com os cabelos e os liços. 15E Dalila lhe disse: Como dizes tu que me amas, quando o teu afeto não propende para mim? Tens-me mentido por três vezes, e nunca me quiseste dizer em que está essa tua grande fôrça. 16E como o importunasse, e por muitos dias se não tirasse do pé dêle, sem lhe dar tempo para descansar, desmaiou enfim o ânimo de Sansão. e caiu num mortal desfalecimento. 17Então descobrindo lhe a verdade da coisa, disse-lhe: Sôbre a minha cabeça nunca se pôs ferro, porque sou Nazareno, isto é, consagrado a Deus desde o ventre de minha mãe: se me fôr rapada a cabeça ir-se-á de mim a minha fortaleza, e eu desfalecerei, e serei como os mais homens. 18E vendo ela que Sansão lhe tinha patenteado seu coração, enviou aos príncipes dos filisteus, e lhes fêz dizer: Vinde ainda esta vez, porque êle me descobriu agora o seu coração. Vieram êles, trazendo o dinheiro que lhe tinham prometido. 19E ela fêz que Sansão dormisse sôbre os seus joelhos, e reclinasse a cabeça no seu seio. E chamou a um barbeiro e lhe fêz cortar sete tranças do seu cabelo, e começou a enxotá-lo, e a lançá-lo de si: Pois que no mesmo ponto se foi dêle a fôrça. 20E disse-lhe: Sansão, eis-aí os filisteus sôbre ti. Espertando êle do sono, disse em seu coração: Sairei, como antes fiz, e me desembaraçarei dêles, porque não sabia que o Senhor se tinha retirado dêle. 21Mas os filisteus tendo-o tomado às mãos lhe tiraram logo os olhos, e o levaram a Gaza atado com cadeias, e encerrando-o no cárcere, o fizeram andar com uma mó. 22E já os seus cabelos lhe tinham começado a renascer, 23quando os príncipes dos filisteus se ajuntaram para imolarem solenes hóstias ao seu deus Dagon, e para se banquetearem, dizendo: O nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão nosso inimigo. 24O que vendo também o povo, louvou o seu deus, e dizia o mesmo: O nosso deus nos entregou nas mãos o nosso adversário, que arruinou a nossa terra, e matou a muitos. 25E alegrando-se nos banquetes, depois de terem já comido, mandaram que se chamasse Sansão, para lhes servir de brinco. E tendo-o tirado do cárcere, os divertia, e o fizeram estar em pé entre duas colunas. 26E êle disse para o moço que o guiava: Deixa-me chegar a tocar as colunas, em que se sustém tôda a casa, e arrimar-me a elas, e descansar um pouco. 27Estava a casa pois cheia de homens e mulheres, e estavam ali todos os príncipes dos filisteus, algumas três mil pessoas dum e outro sexo, que do teto e do pavimento estavam vendo brincar a Sansão. 28Êle porém invocando o Senhor disse: Senhor Deus, lembra-te de mim, e torna-me a dar agora a minha primeira fôrça, Deus meu, para me vingar de meus inimigos, e fazer pagar duma só vez a perda dos meus dois olhos. 29E abraçando-se com as duas colunas, em que a casa se sustinha, e pegando numa com a mão direita e na outra com a esquerda, 30disse: Morra Sansão com os filisteus: e sacudindo com grande fôrça as colunas, caiu a casa sôbre todos os príncipes, e sôbre todo o povo, que ali estava: e foram. muitos mais os que matou morrendo, do que os que matara antes quando vivo. 31E vindo seus irmãos e tôda a parentela, levaram o seu corpo, e o enterraram entre Saraa e Estaol no sepulcro de seu pai Manué: Depois de ter sido juiz de Israel vinte anos.
Juízes 17
1Naquele tempo houve um homem do monte de Efraim por nome Micas, 2que disse a sua mãe: As mil e cem moedas de prata que tinhas pôsto à parte, e sôbre as quais tinhas jurado diante de mim, eis-aqui as tenho eu, e estão em meu poder. Ela lhe respondeu: Bendito seja do Senhor meu filho. 3Entregou-as pois a sua mãe, a qual lhe tinha dito: Eu consagrei e fiz promessa dêste dinheiro ao Senhor, para que meu filho o receba da minha mão, e faça dêle uma imagem de escultura e de fundição: e por isso to dou agora. 4Entregou-as pois a sua mãe: Que tomou duzentas moedas de prata, e as deu a um ourives, para daquela matéria fazer uma imagem de escultura, e de fundição, que ficou em casa de Micas. 5O qual edificou também nela uma capela para o Deus, e fêz um efod, e uns terafins, isto é, vestidura sacerdotal, e ídolos: e encheu a mão dum de seus filhos, e o criou sacerdote. 6Naquele tempo não havia rei em Israel, mas cada um fazia o que lhe parecia melhor. 7Houve também outro mancebo de Belém de Judá, desta mesma família: e era levita, e habitava ali. 8E tendo saído da cidade de Belém, quis mudar de domicílio onde achasse maior comodidade. E como tivesse chegado ao monte de Eíraim, seguindo o seu caminho, e desviando-se um pouco para a casa de Micas, 9perguntou-lhe êste de onde vinha. Êle lhe respondeu: Eu sou um levita de Belém de Judá, e vou estabelecer-me onde puder, e onde vir que me faz conta. 10E Micas lhe disse: Fica comigo, servir-me-ás de pai e de sacerdote, dar-te-ei cada ano dez moedas de prata, e dois vestidos, e o que te fôr necessário para sustento. 11Acomodou-se a isto, e ficou em sua casa, e, Micas O tratou como a um de seus filhos, 12e Micas lhe encheu a mão, e teve consigo a êste moço em qualidade de sacerdote. 13Dizendo: Agora sei que Deus me fará bem, pois que tenho comigo um sacerdote da linhagem de Levi.
Novo TestamentoLc 8,20-37
Lucas 8
20E vieram-lhe dizer: Tua mãe e teus irmãos estão lã fora, querem-te ver. 21Êle respondendo, lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a põem por obra. 22E aconteceu isto num daqueles dias, que entrou êle e os seus discípulos em uma barca, e lhes disse: Passemos à outra ribeira do lago. E êles partiram. 23E enquanto êles iam navegando, dormiu Jesus, e levantou-se uma tempestade de vento sôbre o lago, e se encheu dágua, e perigavam. 24E chegando-se a êle o despertaram, dizendo: Mestre, nós perecemos. E êle, levantando-se, increpou ao vento, e a tempestade da água, e logo tudo cessou. E veio bonança. 25Disse-lhes então Jesus: Onde está a vossa fé? Êles, cheios de temor, se admiraram, dizendo uns. para os outros: Quem cuidas que é êste, que assim manda aos ventos e ao mar, e êles lhe obedecem? 26E navegaram para a terra dos gerascnos, que está fronteira à Galiléia. 27E logo que saltou em terra, veio fer com êle um homem que estava endemoninhado havia já muitos tempos, e não vestia roupa alguma, nem habitava em casa, senão nos sepulcros. 28ste, logo que viu a Jesus, prostrou-se diante dele, e gritando muito alto, disse: Que tens tu comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Peço-te que me não atormentes. 29Porque Jesus mandava ao espirito imundo, que saisse do homem. Porque havia muitos tempos que o ar-rebatava, e ainda que o guardassem preso em cadeias, e grilhões, logo rompia as cadeias, e agitado do demônio, fugia para os desertos. 30E fêz-lhe Jesus esta pergunta, dizendo: Que nome é o teu? Êle então respondeu: Legião: Porque eram em grande número os demônios que tinham entrado nele. 31E êstes lhe pediram que os não mandasse ir para o abismo., t 32Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos, e lhe rogavam que lhes permitisse en-, trar neles. E Jesus lho permitiu. 33Saíram pois do homem os demônios, e entraram -nos porcos,. e logo a manada dos porcos se arrojou por um despenhadeiro impetuosamente no lago, e ali. ficou tôda afogada. 34Quando isto viram os porqueiros, fugiram e foram-no contar às cidades, e pelas granjas. 35E saíram a ver o que havia acontecido, e vieram ter com Jesus, e acharam a seus pés sentado, já vestido, e em seu juízo, ao homem, de quem haviam saído os demônios, e tiveram grande mêdo. 36E os que haviam presenciado o que tinha sucedido, lhes contaram também como o possesso fôra livrado da legião: 37E tôda a gente do território dos gerasenos pediu a Jesus que se retirasse deles: Porque estavam pos-suidos de grande mêdo. Pelo que êle, embarcando-se, se retirou de volta.
Salmos e ProvérbiosSl 62 (63)
Salmo 62 (63)
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais: Salmo 63.
1Salmo de Davi, Quando estava no deserto da Iduméia. 2O' Deus, ó meu Deus, em ti estou vigilante desde o raiar da luz. De ti tem sêde a minha alma, a minha carne por ti suspira. 3Nesta terra deserta, e sem caminho, e sem água: Porque em teu santuário te contemplei, vi o teu poder, e a tua glória. 4Porque a tua misericórdia é melhor que a mesma vida: Os meus lábios te louvarão. 5Assim te bendirei em minha vida: E invocando o teu nome levantarei as minhas mãos. 6Como de banha e de gordura será farta a minha alma: E com lábios de júbilo te louvará a minha bôca, 7quando me tenho lembrado de ti sôbre o meu leito passo as minhas madrugadas meditando em ti: 8Porque fôste meu defensor. E à sombra das tuas asas exultei, 9a minha alma vai unida após de ti: A tua destra me fortalece. 10Mas êles em vão procuram tirar-me a vida, entrarão nas profundidades da terra: 11Serão entregues nas mãos da espada, presa serão das rapôsas. 12Mas o rei se alegrará em Deus, louvados serão todos os que juram por êle: Pois se fechou a bôca aos que falam coisas iníquas.