Dia 145
Ecl 4–7 · At 7,1-22 · Sl 82,11-19 (83) · cerca de 13 min
Destaque da leitura de hoje“Porque.não se lembrará muito dos dias da sua vida, visto que Deus ocupa de delícias o seu coração.”Eclesiastes 5,19
Antigo TestamentoEcl 4–7
Eclesiastes 4
1Eu me voltei para outras coisas, e vi as calúnias que se passam debaixo do sol, e as lágrimas dos inocentes e que ninguém os consolava: Nem êles podiam resistir à violência dos que os vexavam, destituídos de todo o socorro. 2E louvei mais os mortos do que os vivos: 3E reputei mais venturoso do que uns e outros, ao que ainda não é nado, e que não tem visto os males que se fazem debaixo do sol. 4Contemplei de novo todos os trabalhos dos homens, e fiz reparo em que as suas indústrias se achavam expostas à inveja do próximo: E nisto há também vaidade, e cuidado supérfluo. 5O insensato cruza as suas mãos, e come as suas carnes, dizendo: 6Mais vale um punhadinho com descanso, do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição do ânimo. 7Tornando a considerar achei ainda outra vaidade debaixo do sol: 8Há um tal que é só, e que não tem ninguém consigo, nem filho, nem irmão, e que todavia não cessa de trabalhar, nem os seus olhos se fartam de riquezas: Nem faz esta reflexão, dizendo: Para quem trabalho eu, e defraudo a minha alma dos bens da vida? nisto há também vaidade, e aflição miserabilíssima. 9Melhor é pois estarem dois juntos, do que estar um só: Porque têm a conveniência da sua sociedade: 10Se um cair, o outro o susterá: Ai do que está só: Porque quando cair, não tem quem o levante. 11E se dormirem dois juntos, êles se aquentarão mútuamente: Mas um só como se há de aquentar? 12E se alguém prevalecer contra um, dois lhe resistem: O cordel triplicado dificultosamente se quebra. 13Melhor é um moço pobre e sábio, do que um rei velho insensato, que não sabe prever nada para o futuro. 14Porque às vêzes sai um do cárcere, e dos ferros para ser rei: E outro que nasce rei, é consumido da pobreza. 15Eu vi todos os viventes, que passeiam debaixo do sol com o moço, que tem o segundo lugar, e que depois há de ter o primeiro. 16Todos os que foram antes dêle são um povo infinito em número: e os que depois hão de existir não se hão de nêle regozijar. Mas até isto é vaidade e aflição de espírito. 17Vê onde pões o teu pé, quando entras na casa de Deus, e chega-te para ouvires. Porque muito melhor é a obediência do que as vitimas dos insensatos, que não conhecem o mal que fazem.
Eclesiastes 5
1Não digas nada inconsideradamente, nem o teu coração se apresse a proferir palavras diante de Deus. Por que Deus está no céu, e tu sôbre a terra: Portanto sejam poucas as tuas razões. 2Aos muitos cuidados seguem-se os sonhos, e no muito falar achar-se-á a estultícia, 3Se fizeste algum voto a Deus, trata de o cumprir logo: Porque lhe desagrada a promessa infiel e imprudente: Mas cumpre tudo o que tiveres prometido: 4E muito melhor é não fazer voto algum, do que depois de o fazer não cumprir o prometido. 5Não dês com a leveza da tua língua ocasião à tua carne de cair em pecado: Nem digas diante do anjo: Não há providência: Porque não suceda talvez que Deus, irado contra as tuas palavras, dissipe tôdas as obras das tuas mãos. 6Onde há muitos sonhos, há muitas vaidades, e palavras sem número: Mas tu, teme a Deus. 7Se vires a opressão dos pobres, e a violência que reina nos juízos, e que se atropela inteiramente a justiça nalguma província, não te admires dêste procedimento: Porque o que está alto tem acima de si outro mais alto, e sôbre êstes há ainda outros mais elevados, 8e há de mais a mais um rei que impera sôbre tôda a terra, que lhe está sujeita. 9O avarento nunca jamais se fartará de dinheiro: E o que ama as riquezas não tirará fruto delas: Logo também isto é vaidade. 10Onde há muitos bens, há também muitos que os comam. E de que servem êles a quem os possui, senão de ver com seus olhos muitas riquezas? 11O sono é doce para o trabalhador, ou êle coma pouco, ou muito: Porém a fartura do rico é a mesma que o não deixa dormir. 12Ainda há outra enfermidade bem má, que cu tenho visto debaixo do sol: As riquezas conservadas para mal do seu dono. 13Porque elas acabam com suma aflição: Êle gerou um filho, que se há-de ver reduzido à última pobreza. 14Do modo que êle saiu nú do ventre de sua mãe, assim mesmo há-de voltar e não há de levar nada consigo do seu trabalho. 15Enfermidade é esta de todo o ponto miserável: Do modo que veio, assim voltará. De que lhe serve logo ter trabalhado para o vento? 16file todos os dias da sua vida comeu às escuras, e com muitos cuidados, e em miséria e tristeza. 17Isto é pois o que me pareceu bem, que um coma, e beba, e tire com alegria o fruto do seu trabalho, com que êle mesmo se afadigou debaixo do sol durante o prazo dos dias da sua vida, os quais Deus lhe deu, e esta é a sua parte. 18E para todo o homem, a quem Deus tem dado riquezas, e fazenda, e lhe tem concedido faculdade para que coma delas, e desfrute a sua parte, e viva alegre do seu trabalho: Isto para o tal, digo, é um dom de Deus. 19Porque.não se lembrará muito dos dias da sua vida, visto que Deus ocupa de delícias o seu coração.
Eclesiastes 6
1Há ainda outro mal, que eu tenho visto debaixo do sol, e ordinário por certo entre os homens: 2Um homem, a quem Deus deu riquezas, e fazenda, e honra, e nada falta à sua alma de quantas coisas deseja: E Deus não lhe concedeu faculdade para comer daí, mas virá um homem estranho a devorar tudo: Isto é uma vaidade, e grande miséria. 3Se alguém tiver gerado já um cento de filhos, e viver muitos anos e contar mais dias de idade, e a sua alma se não utilizar dós bens qué possui, é carecer de sepulturã: Dêste homem não duvido eu afirmar que um abôrto é melhor do que êle. 4Porque um tal veio ao mundo debalde, e caminha para as trevas, e o seu nome ficará sepultado no esquecimento. 5Êle não viu o sol, nem conheceu a distância que vai do bem ao mal: 6Ainda que êle tivesse vivido dois mil anos, se êle não gozou dos seus bens: Porventura não se apressa tudo a um mesmo lugar? 7Todo o trabalho do homem é para a sua bôca: Mas a sia alma não se encherá com isso. 8Que tem o sábio demais do que o insensato? E que tem demais o pobre, senão que êle caminha para o lugar onde está a vida? 9Melhor é ver o que se deseja, do que desejar o que se ignora. Mas também isto é vaidade, e presunção do espirito. 10Aquêle que há-de ser, é já chamado pelo seu nome: E sabe-se que êle é homem, e que não pode disputar em juízo contra quem é mais forte do que êle. 11São em mui grande número as palavras e têm na disputa muita vaidade.
Eclesiastes 7
1Que necessidade tem o homem de buscar o que é acima dêle, quando êle ignora o que lhe é conducente na sua vida, enquanto dura o prazo dos dias da sua peregrinação, e o tempo que passa como sombra? Ou quem lhe poderá mostrar que é o que está para suceder depois dêle debaixo do sol? 2Melhor é o bom nome, do que os bálsamos preciosos: E o dia da morte, do que o dia do nascimento. 3Melhor é ir à casa que está de nojo, do que à casa onde se dá banquete: Porque naquela é um advertido do fim de todos os homens, e o que está vivo considera no que um dia lhe há-de acontecer. 4Melhor é a ira do que o riso: Porque pela tristeza que aparece no rosto, se corrige o ânimo do delinquente.: 5O coração dos sábios está onde se acha a tristeza, e o coração dos insensatos oide se acha a alegria. 6Melhor é ser repreendido pelo sábio, do que ser enganado pela adulação dos insensatos: 7Porque assim como se ouve ao longe a estalada que fazem os espinhos ardendo debaixo duma panela, do mesmo modo o riso do insensato: Mas também isto é vaidade. 8A calúnia turba o sábio, e ela abaterâ a firmeza do seu coração. 9Melhor é o fim do discurso, do que o princípio. Melhor é o homem paciente, do que o arrogante. 10Não sejas veloz em te irares: Porque a ira descansa no seio do insensato. 11Não digas: De onde vem que os primeiros tempos foram melhores do que são agora? Porque semelhante pergunta é indiscreta. 12A sabedoria é mais útil com as riquezas, e aproveita mais aos que vêem o sol. 13Porque assim como a sabedoria protege, assim protege o dinheiro: Mas a erudição e a sabedoria têm isto demais, que elas dão vida ao seu possuidor. 14Considera as obras de Deus, porque ninguém pode corrigir a quem êle desprezou. 15Goza dos bens no dia bom, e precavé o mau dia, porque Deus assim como fêz êste, assim também fêz aquêle, sem que o homem ache contra êle justificadas queixas. 16Eu também vi isto nos dias da minha vaidade: O justo perece na sua justiça, e o ímpio vive muito tempo na sua malícia. 17Não sejas muito justo: Nem sejas mais sábio do que é necessário, para que não venhas a ser estúpido. 18Não te obstines nas ações criminosas: E não sejas insensato para que não venhas a morrer no tempo que não é teu. 19Bom é que tu sustentes o justo, mas também não retires a tua mão daquele que o não é: Porque o que temea Deus, nada despreza. 20A sabedoria fêz o sábio mais forte do que dez príncipes duma cidade. 21Porque não há homem justo sôbre a terra, que - faça o bem, e que não peque. 22Mas também não inclines o teu coração a ouvir tôdas as palavras que se dizem: Para que não ouças talvez a teu servo dizer mal de ti: 23Porque sabes na tua consciência, que também tu muitas vêzes tens dito mal de outros. 24Tudo tentei por adquirir a sabedoria. Eu disse: Far-me-ei sábio: E ela se retirou para longe de mim, 25muito mais do que dantes estava: E por certo que a sua profundidade é grande, quem a poderá sondar 26Eu discorri dentro no meu espirito por tôdas as coisas para saber, e considerar, e buscar a sabedoria, e a razão de tudo: E para conhecer a impiedade do insensato, e o êrro dos imprudentes: 27E achei que é mais amargosa do que a morte a mulher, a qual é laço de caçadores, e o seu coração rêde, as suas mãos são cadeias. Aquêle que agrada a Deus, fugirá dela: O que porém é pecador, será dela apanhado. 28Eis-aqui o que eu achei, disse o Eclesiastes, depois de ter conferido uma coisa com outra para achar uma razão, 29que ainda a minha alma busca, e não pude achar. Entre mil homens achei eu um, de tôdas as mulheres nem uma só achei. 30O que eu únicamente achei foi que Deus criou o homem reto, e que êle mesmo se meteu em infinitas questões. Quem é tal como o sábio? E quem conheceu a solução desta palavra?
Novo TestamentoAt 7,1-22
Atos dos Apóstolos 7
1Então o sumo sacerdote disse: Pois com efeito são assim estas cousas? 2Respondeu êle: Varões irmãos, e Padres, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava em Mesopotâmia, antes de assistir em Caran. 3E lhe disse: Sai do teu país e da tua parentela, e vem para a terra que eu te mostrar. 4Então saiu êle da terra dos caldeus, e veio morar em Caran. E de lá, depois que morreu seu pai, Deus. o fêz passar a esta terra; na qual vós agora habitais. 5E não lhe deu herança nela, nem ainda o espaço dum pé: Mas prometeu dar-lhe a posse dela a êle, e depois dêle à sua posteridade, quando ainda não tinha filho. 6E Deus lhe disse: Que a sua descendência seria habitadora em terra estranha, e que a reduziriam à servidão, e a maltratariam por espaço de quatrocentos anos. 7Mas eu julgarei a gente, a quem êles houverem servido, disse o Senhor: E depois disto sairão, e me servirão neste lugar. 8E lhe deu o testamento da circuncisão: E assim gerou a Isaac, e circuncidou passados oito dias: E Isaac gerou a Jacó: E Jacó aos doze patriarcas. 9E os patriarcas, movidos de inveja; venderam a José para ser levado ao Egito: Mas Deus era com êle, 10eo livrou de tôdas as suas tribulações: E lhe deu graça, e sabedoria diante de Faraó, rei do Egito, o qual o fêz governador do Egito, e de tôda a súa casa. 11Veio depois fome por tôda a terra do Egito, e de Canaã, e uma grande tribulação, e os nossos pais não achavam que comer. 12E tendo Jacó ouvido dizer que havia trigo no Egito: Enviou a primeira vez a nossos pais. 13E na segunda foi conhecido José de seus irmãos, e foi descoberta a Faraó a sua linhagem. 14E enviando José mensageiros, fêz ir ao seu pai Jacó e a tôda à sua família, que constava de setenta e cinco pessoas 15E Jacó desceu ao Egito, e morreu êle, e nossos pais. 16E foram trasladados a Siquém, e postos no momento que Abraão tinha comprado em moeda de prata, aos filhos d'Hemor, filho de Siquém. 17E chegando o tempo da promessa, que Deus havia jurado a Abraão, cresceu o povo, e se multiplicou no Egito. 18Até que se levantou outro rei no Egito, que não conhecia a José. 19Êste, usando de astúcia contra a nossa Nação, apertou a nossos pais, para que expusessem a seus filhos, a fim de que não vivessem. 20Naquele mesmo tempo nasceu Moisés, e foi agradável a Deus, e se criou três meses na casa de seu pai. 21Depois, como êle fôsse exposto, a filha de Faraó o levantou, e o criou como seu filho. 22Depois foi Moisés instruído em tôda a literatura dos egípcios, e era êle poderoso em palavras e obras.
Salmos e ProvérbiosSl 82,11-19 (83)
Salmo 82 (83)
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais: Salmo 83.
11Acabaram em Endor: Foram feitos como escória da terra. 12Trata aos comandantes dêles como a Oréb, e Zeb, e a Zebee, e a Salmana: A todos os comandantes daqueles 13que disseram: Tomemos por herança o Santuário de Deus. 14Ó meu Deus, põe-nos tu a êles como uma roda: E como uma palhinha diante da fúria do vento. 15Como fogo, que queima uma selva: E como chama que abrasa os montes: 16Assim os perseguirás com a tua tempestade: E com a tua ira os conturbarás. 17Enche os seus rostos de ignomínia: E então buscarão o teu nome, Senhor. 18Sejam afrontados, e turbados para sempre: E sejam confundidos, e pereçam. 19E conheçam que te é próprio o nome de Senhor: Que tu só és o Altíssimo em tôda a terra.