Dia 337
Jó 27–30 · 1Jo 1 · Pr 24,18-27 · cerca de 11 min
Destaque da leitura de hoje“Por não suceder que o Senhor o veja, e que isto lhe desagrade, e que tire de cima dêle a sua ira.”Provérbios 24,18
Antigo TestamentoJó 27–30
Jó 27
1Acrescentou também Jó, continuando a sua parábola, e disse: 2Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Onipotente, que trouxe à amargura a minha alma. 3Porque enquanto em mim houver alento, e o Espírito de Deus nos meus narizes, 4não falarão os meus lábios iniquidade, gem a minha língua inventará mentira. 5Guarde-me Deus de vos ter por justos: Enquanto eu viver, não me apartarei da minha inocência. 6Não deixarei a justificação, que tenho começado a seguir: Porque o meu coração nada me remorde em tôda a minha vida. 7Seja como ímpio, o meu inimigo: E o meu adversário, seja como iníquo? 8Pois qual é a esperança do hipócrita se rouba por avareza, e Deus não livra a sua alma? 9Acaso ouvirá Deus o seu clamor quando lhe sobrevier a angústia? 10Ou poderá êle deleitar-se no Todo-Poderoso, e invocar a Deus em todo ò tempo? 11Eu vos ensinarei com o auxílio de Deus o que se encerra no Todo-Poderoso, eu não vo-lo esconderei. 12Mas todos vós o sabeis, e por que pois falais inutilmente palavras vãs? 13Esta é a sorte que diante de Deus terá o homem: ímpio, e a herança que os violentos receberão do Todo-Poderoso. 14Se os seus filhos se multiplicarem, serão para a espada, e os seus netos nãò serão fartos de pão. 15Os que ficarem dele, serão sepultados na sua ruína, e as suas viúvas não chorarão. 16Se êle amontoar prata como terra, e se ajuntar vestidos como lama: 17Êle sim os ajuntará, mas o justo se vestirá com eles, e o inocente repartirá a sua prata. 18Lavrou corno a traça a sua casa, e como o guarda fêz a sua choupana. 19O rico quando dormir, nada levará consigo: Abrirá os seus olhos, e nada achará. 20A miséria o surpreenderá como inundação, de noite o oprimirá a tempestade. 21Um vento abrasador o tirará, e levará, -êle o arrebatará do seu lugar, como um redemoinho, 22E lançará sôbre êle, e não perdoará: Da sua mão irá fugindo a tôda a pressa. 23O que vir o seu lugar, baterá sôbre êle as suas mãos, e assobiará sôbre êle.
Jó 28
1A prata tem um princípio das suas veias: O ouro tem um próprio lugar onde se forma. 2O ferro tira-se da terra: E a pedra derretida no fogo torna-se em metal. 3Pôs têrmo às trevas, e êle mesmo considera o fim de tôdas as coisas também a pedra da escuridão, e a sombra da morte. 4A torrente divide do povo viandante aquêles de quem o pé do homem pobre se esqueceu, e que estão fora do caminho. 5A terra, da qual nascia o pão como do seu lugar, foi destruída pelo fogo. 6Há lugares cujas pedras são safiras e cujos torrões são grãos de ouro. 7A ave ignorou a sua rota, e o ôlho do abutre não a viu, 8Os filhos dos negociantes não a trilharam, nem a leoa passou por ela. 9Estendeu a sua mão contra os rochedos, transtornou os montes desde as suas raízes. 10Cortando os penhascos fêz arrebentar arroios, e o seu ôlho viu tudo o que há precioso, 11Investigou também até o fundo dos rios, e pôs às claras o que estava escondido. 12Mas a sabedoria onde se acha ela? E qual é o lugar da inteligência? 13O homem não conhece o seu preço, nem ela se acha na terra dos que vivem em delícias. 14O abismo diz: Ela nãò está em mim: E o mar publica: Ela não está comigo. 15Não se dará por ela ouro o mais puro, nem se pesará prata em câmbio dela. 16Não será comparada com as côres mais vivas da Índia, nem com a pedra sardônica preciosíssima, nem com a safira. 17Não se lhe igualará o ouro nem o cristal, e ela se não dará em troca pelos vasos de ouro: 18Quanto há grande e elevado, não se nomeará em comparação dela: Mas a sabedoria se tira de coisas ocultas. 19Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem será comparada com as tintas mais brilhantes. 20De onde vem pois a sabedoria? E qual é o lugar da inteligência? 21Escondida está aos olhos de todos os viventes, até às aves do céu está oculta. 22A perdição e a morte disseram: Aos nossos ouvidos chegou a sua fama. 23Deus entende o seu caminho, e êle mesmo conhece o seu lugar. 24Porque êle vê as extremidades do mundo: E vê tudo o que há debaixo do céu. 25Êle é o que deu pêso aos ventos, e pesou as águas com medida. 26Quando prescrevia' certa lei às chuvas, quando designava certo caminho às tempestades ruidosas: 27Então a viu, e a manifestou, e preparou, e investigou. 28E disse ao homem:Eis-aí o temor do Senhor, êle é a mesma sabedoria: E apartar-se do mal, é a inteligência.
Jó 29
1Acrescentou também Jó, continuando a sua parábola, e disse: 2Quem me dera ser como eu fui nos meses antigos, como nos dias em que Deus me guardava? 3Quando a sua lâmpada luzia sôbre a minha cabeça, e quando eu guiado pela sua luz caminhava nas trevas? 4Como fui nos dias da minha mocidade, quando Deus habitava secretamente em minha casa? 5Quando o Todo-Poderoso estava comigo: E os meus filhos em tôrno de mim? 6Quando eu lavava os meus pés em manteiga, e quando a pedra derramava para mim arroios de azeite? 7Quando eu saía até à porta da cidade, e me preparavam uma cadeira na praça pública? 8Viam-me os mancebos, e se escondiam: E os velhos, levantando-se, se punham em pé. 9Os príncipes cessavam de falar, e punham o dedo sôbre a sua bôca. 10Os maiorais continham a sua voz, e a sua língua ficava pegada ao seu paladar. 11A orelha que me ouvia, chamava-me bem-aventurado, e o ôlho que me via dava testemunho de mim. 12Porque eu tinha livrado o pobre que gritava, e o órfão, que não tinha quem. o socorresse. 13A bênção do que estava a perecer vinha sôbre mim, e consolei o coração da viúva. 14Eu me revesti da justiça: E a equidade me serviu, como de vestido e de diadema. 15Eu fui o ôlho do cego, e o pé do coxo. 16Eu era o pai dos pobres: E as causas de que eu não tinha conhecimento, eu me instruía delas com tôda a diligência, 17Eu quebrava os queixos do iníquo, e tirava-lhe a prêsa dentre os dentes. 18E eu dizia: Eu morrerei no meu ninhozinho, e multiplicarei os meus dias como a palmeira. 19A minha raiz descoberta está junto às águas, e na minha seara fará assento o orvalho. 20A minha glória sempre se renovará, e o meu arco se fortificará na minha mão. 21Os que me ouviam, esperavam a minha sentença, e em silêncio estavam atentos ao meu conselho. 22Não ousavam ajuntar nada às minhas palavras, e minhas razões caíam sôbre êles como orvalho. 23Esperavam-me como a chuva, e abriam a sua bôca como às águas tardias. 24Se alguma vez me ria com êles, não o criam, ea luz do meu rosto não caía no chão. 25Se eu queria ir vê-los, assentava-me no primeiro lugar: Quando eu estava assentado como um rei, rodeado de guardas, era todavia o consolador dos aflitos.
Jó 30
1Porém agora zombam de mim os de menos idade, cujos pais noutro tempo não me dignaria eu pôr com os cães do meu rebanho: 2Aquêles, cuja fôrça de mãos reputava eu em nada, e eram estimados como indignos de viver. 3Estéreis pela pobreza e pela fome, que andavam roendo pelo deserto, esquálidos pela calamidade e pela miséria. 4E comiam ervas, e cascas de árvores, e que se sustentavam das raízes dos juníperos. 5Que arrebatando dos vales estas coisas, logo que as achavam, corriam a elas com gritaria. 6Habitavam nas concavidades dos rios e nas cavernas da terra, ou sôbre os penhascos. 7Que achavam a sua alegria entre tais coisas, e reputavam por delícia estar debaixo dos espinhos. 8Filhos de gente insensata e desprezível, e que nem ainda aparecem na terra. 9Agora tenho chegado a ser a sua canção e me tenho feito objeto dos seus escárnios. 10Êles me abominam e fogem para longe de mim, e não receiam cuspir-me no rosto. 11Porque abriu a sua aljava e me afligiu, e pôs um freio na minha bôca. 12Logo que comecei a aparecer se levantaram à minha destra as minhas calamidades: Transtornaram os meus pés, e me oprimiram com as suas veredas, como com ondas. 13Desbarataram-me os meus caminhos, armaram-me traições, e prevaleceram, e não houve quem me socorresse. 14Como na brecha de uma muralha, e por uma porta aberta se lançaram sôbre mim, e me vieram acabar na minha miséria. 15Reduzido me vejo a um nada, arrebataste o meu desejo como vento: E como nuvem passou a minha saúde. 16E agora dentro de mim mesmo se murcha a minha alma, e me possuem dias de aflição, 17De noite os meus ossos são traspassados de dores: E os que me devoram não dormem. 18Com a multidão destes se consome 'o meu vestido, e me cercaram como com cabeção de túnica. 19Sou comparado ao lôdo, e sou semelhante ao pó e à cinza. 20Clamo a ti e não me ouves: Ponho-me diante de ti e não olhas para mim. 21Trocaste-te em severo para comigo, e na dureza da tua mão te mostras inimigo para comigo. 22Elevaste-me, e como pondo-me sôbre o vento, me arrojaste com violência. 23Sei que me entregarás à morte, onde há casa estabelecida para todo o vivente. 24Mas não estendes a tua mão para consumi-los inteiramente: E se caírem, tu mesmo os salvarás. 25Eu chorava algum dia sobre aquele que estava aflito: A minha alma se compadecia do pobre. 26Esperava bens, e vieram-me males: Esperava a luz e saíram trevas. 27As minhas entranhas ferveram sem descanso algum: Os dias da aflição me surpreenderam. 28Caminhava triste, mas sem furor: Levantando-me gritava no meio da gente. 29Fui irmão de dragões, e companheiro de avestruzes. 30Denegrida está a minha pele sôbre mim, e os meus ossos se secaram pelo ardor. 31A minha cítara se trocou em tristes lamentos, e o meu órgão nas vozes dos que choram.
Novo Testamento1Jo 1
1 João 1
1O que foi desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que miramos, e palparam as nossas mãos do Verbo da vida. 2Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e damos dela testemunho, e nós vos anunciamos esta vida eterna, que estava no Pai e que nos apareceu a nós-outros: 3O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco, e que a nossa comunhão seja com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. 4E estas coisas vos escrevemos para que vos ale-greis, e a vossa alegria seja completa. 5E esta é a nova que ouvimos dele mesmo, e que nós vos anunciamos: Que Deus é luz, e não há nele ne-nhumas trevas. 6Se dissermos que temos sociedade com êle, e andamos nas trevas, mentimos, e não seguimos a verdade. 7Porém se nós andamos na luz, como êle mesmo também está na luz, estamos mutuamente na mesma sociedade, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado: 8Se dissermos que estamos sem pecado, nós mesmos nos enganamos, e não há verdade em nós. 9Porém se nós confessarmos os nossos pecados: Êle é fiel e justo para nos perdoar êsses nossos pecados, e para nos purificar de tôda a iniquidade. 10Se dissermos que não pecamos: Fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
Salmos e ProvérbiosPr 24,18-27
Provérbios 24
18Por não suceder que o Senhor o veja, e que isto lhe desagrade, e que tire de cima dêle a sua ira. 19Não andes em competência com os homens péssimos, nem invejes aos ímpios: 20Porque os maus não têm esperança alguma para o futuro, e a candeia dos ímpios apagar-se-á. 21Teme, meu filho, ao Senhor, e ao rei: e não te mistures com os detratores: 22Porque de repente se levantará a sua perdição: E quem sabe a ruína de ambos? 23O que vou a dizer, é também para os sábios: Não é bom fazer acepção de pessoas nos juízos. 24Aqueles que dizem ao ímpio: Tu és justo: Amaldiçoá-los-ão os povos, e detestá-los-ão as tribos. 25Aquêles que o repreendem serão louvados: E virá sôbre êles a bênção. 26Aquêle que dá uma resposta direita, beijará os seus lábios. 27Prepara de fora a tua obra, e lavra cuidadosamente o teu campo: Para que depois edifiques a tua casa.